Tá na Ita, tá legal!

Trinta e sete horas após resultado, Bolsonaro mantém silêncio sobre vitória de Lula na eleição

Presidente Jair Bolsonaro do lado de fora do local de votação no Rio de Janeiro. — Foto: REUTERS/Ricardo Moraes
Presidente Jair Bolsonaro do lado de fora do local de votação no Rio de Janeiro. — Foto: REUTERS/Ricardo Moraes

Trinta e sete horas após o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ter confirmado no domingo (30) a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para a Presidência da República, Jair Bolsonaro, candidato derrotado do PL à reeleição, ainda não se manifestou sobre o resultado.

É uma tradição no Brasil o candidato derrotado reconhecer a derrota e desejar sorte ao eleito. Isso aconteceu em eleições passadas (leia detalhes mais abaixo).

Integrantes do governo Bolsonaro, como o vice-presidente Hamilton Mourão e o ministro Ciro Nogueira (Casa Civil) já entraram em contato com integrantes da campanha de Lula para oferecer apoio no processo de transição de governo.

O resultado foi confirmado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) às 19h57 de domingo, quando 98,81% das urnas já tinham sido apuradas. Àquela hora, Lula, tinha 50,83% dos votos válidos e não poderia mais ser alcançado por Bolsonaro, que contabilizava 49,17% de votos válidos.

Ao todo, com 100% das urnas apuradas, Lula obteve 60,3 milhões de votos, e Bolsonaro, 58,2 milhões de votos.

A agenda de Bolsonaro para esta terça-feira (1º) não prevê compromissos oficiais. Pela manhã, o senador Flavio Bolsonaro (PL-RJ) foi visto entrando no Palácio da Alvorada, residência oficial da Presidência. Aliado de Bolsonaro, o deputado Hélio Lopes (PL-RJ) também foi visto chegando ao local.

Na segunda-feira, o ajudante de ordens do presidente, tenente-coronel Cid, se dirigiu ao Alvorada. O general Walter Souza Braga Netto, que concorreu como candidato a vice de Bolsonaro, também foi visto entrando no Alvorada. Depois, Bolsonaro se dirigiu ao Palácio do Planalto, voltou para o Alvorada e manteve o silêncio sobre a disputa eleitoral (veja detalhes no vídeo abaixo).

Reconhecimento da derrota

 

Tradicionalmente, candidatos derrotados ligam para o adversário e fazem uma declaração pública reconhecendo a vitória do oponente.

Em 2018, por exemplo, o então candidato do PT Fernando Haddad reconheceu a vitória de Bolsonaro ainda no domingo à noite.

Em 2002, quando Lula obteve a primeira vitória na disputa presidencial, o então adversário dele no segundo turno, José Serra (PSDB), telefonou para o petista e reconheceu a derrota.

Durante discurso a apoiadores na Avenida Paulista, em São Paulo, Lula contou que até as 23h45 não havia recebido telefonema de Jair Bolsonaro.

“Vocês sabem que a gente vai ter que ter um governo para conversar com muita gente que está com raiva. Em qualquer lugar do mundo, o presidente derrotado já teria ligado para mim reconhecendo a derrota. Ele, até agora, não ligou, não sei se vai ligar e não sei se vai reconhecer”, disse.

Assim que o TSE declarou a vitória de Lula sobre Bolsonaro, diversos líderes mundiais reconheceram a vitória do petista, entre os quais: Joe Biden (Estados Unidos), Rishi Sunak (Reino Unido), Alberto Fernández (Argentina), Vladimir Putin (Rússia), Marcelo Rebelo de Sousa (Portugal), Olaf Scholz (Alemanha) e Volodymyr Zelensky (Ucrânia).

Fonte: G1