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Técnica vinho de talha renasce: Método milenar é resgatado por vinícolas do Alentejo no sul de Portugal

Após a fermentação é comum que se coloque tampas de madeira ou um tecido branco nas bocas das talhas para o ar não entrar  em contato com o vinho

Além dos belos campos verdes e dos vilarejos históricos perfeitamente preservados, outra coisa é cada vez mais comum no dia a dia alentejano: o vinho de talha. O vinho não é necessariamente uma novidade, a trajetória da bebida remete aos livros de história, à época em que os romanos conquistaram a Península Ibérica, o renascimento da produção vive um em vinícolas modernas nesta região ao sul de Portugal.

Antes disso, o vinho de talha produzido nos vilarejos do Alentejo tinham um aspecto mais popular, tirado diretamente da ânfora da casa das pessoas e despejado em garrafões para consumo caseiro. A Cartuxa, por exemplo, conhecida pelo vinho Pêra-Manca, produz hoje vinho tinto e branco a partir de talhas recuperadas do século 19. A produção é bem menor quando comparada aos outros rótulos da adega, mas funciona como uma forma de imprimir identidade.

O vinho de talha esbarra no conceito de mínima intervenção. Após a colheita, as uvas são desengaçadas (tiradas de suas ramificações), esmagadas e colocadas nas talhas com casca e outros resquícios. A fermentação acontece de maneira espontânea e dura entre oito e 15 dias.

Dentro da talha ocorre uma separação das cascas dos frutos, as quais sobem à superfície e formam uma espécie de massa. Nesse período é fundamental mexer o mosto mais de duas vezes por dia para “quebrar” essa massa com um longo objeto de madeira – caso não seja mexido, a pressão é tanta que ocorre risco da talha estourar.

Ao final da fermentação, os sedimentos descem e se depositam no fundo da talha. Do lado externo, uma torneira é colocada em um orifício e o vinho tem que atravessar os sedimentos, que funcionam como um filtro natural. Também há produtores que depositam engaços no fundo da talha, o que ajuda ainda mais no processo de filtração.

 

Edição de texto: Ramilso Santos com informações da Cnnbrasil.com.br
Foto: Internet
Contato: ramilsojornalista@gmail.com