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Santarém – Menor que deve R$ 3 mil ao tráfico é apreendido e mãe culpa Conselho Tutelar de estragá-lo

Foto: Reprodução

Nas primeiras horas da manhã de terça-feira (6), um adolescente de 17 anos, conhecido como “Botão“ foi apreendido após denúncia de furto a um comércio situado, no bairro Santana, em Santarém. Segundo o proprietário do estabelecimento, era por volta das 6 horas da manhã quando abriu o ponto para deixar mercadorias e se deslocou para sua residência ao lado. Momentos depois foi avisado por um vizinho sobre a invasão no local.

“Eu cheguei da feira com a minha carretinha e no momento que eu desembarquei minhas coisas e coloquei dentro do ponto, eu baixei as portas novamente, mas não tranquei na chave e fui na casa onde eu moro que é do lado deixar os vasilhames. Eu vi ele deitado em um banco lá, mas pensei que era o filho do vizinho e acaba que era ele. Ele levantou a porta e tirou a balança, banana e algumas besteiras. Então o vizinho viu  e me  chamou e eu sair correndo atrás dele”, relatou.

Ainda de acordo com o comerciante, ao correr atrás do menor se deparou com ele abordando outra vítima. “Ele jogou a balança, porque se viu em apuros, quando eu dobrei a esquina que vi que era ele, me deparei com ele soltando a enfermeira. Tava com o facão na enfermeira querendo assaltar ela. Voltou pra casa chorando, eu fui atrás dela, a polícia chegou, só que ela já tinha se lavado e ido pro trabalho”.

O comerciante contou também que com o seu pedido de socorro juntamente com o da enfermeira, a população conseguiu fazer o cerco e agarrá-lo  dentro de uma caixa d ‘ água até a chegada da Polícia Militar. O menor foi levado para a 16° Seccional de Polícia Civil e a mãe esteve na delegacia acompanhando a situação. Durante entrevista fez acusações graves contra o Conselho Tutelar, e principalmente sobre o comportamento do seu filho, que também é usuário de drogas.

A mãe que preferiu não se identificar, ressaltou que assim que descobriu as atitudes do filho solicitou o auxílio do Conselho Tutelar. Na primeira visita, foi interrompida pelos agentes para que soltasse seu filho de  correntes que o prendia para impedi-lo que fosse as ruas cometer delitos ou até usar entorpecentes.

“Quando descobriram eles falaram: ah ta,  eu vou te acompanhar, conselho chegou plena 5 horas da tarde no  domingo, na porta da minha casa  que eu tava mantendo ele em cárcere privado. Bateram foto dele, mandaram eu soltar ele, falaram um monte de coisa que eu não  poderia ta fazendo aquilo porque ele era menor de idade. Ta,  como eu falei, eu  vou soltar meu filho bem aqui, vão matar meu filho bem ali, entendeu? A menina disse é até fico culpada, mas vou orar por ele, eu disse: ora meu amor, ora mesmo”.

A mãe acrescentou que o Conselho Tutelar só estragou seu filho. “Então, o conselho desculpa falar pra vocês, só me prejudicou, porque no exato momento  que ele ficou sendo acompanhado que entrava numa sala, sozinho pra conversar com ela, o menino se transformou de uma forma, que eu não conseguir mais controlar ele, e eu sou mãe, eu sei que meu filho me ama. Antes do conselho ainda tinha um controle sobre ele, agora não”, lamentou.

Conforme a mãe, a Justiça pediu a internação  para que “Botão” pudesse se livrar do vício, mas veio a pandemia e prejudicou ainda mais a situação do menor.  Contou que já pediu ajuda do Conselho alguns anos atrás, mas negaram.  Em um determinado dia, após ingerir remédios, pois fazia tratamento no CAPs, o filho ficou transtornado e gritava pelo nome da conselheira, neste momento, que se sentiu desamparada e desabafou sobre o modo de trabalho do Conselho Tutelar.

“Levei ele no posto, ainda liguei pra ela, ele gritava o nome dela, venha aqui na porta, em casa. Ela disse assim, liga pra polícia que ele já tem 14 anos, responde por seus atos. Essa palavra que ela me falou. Eu falei pra ela desse jeito: É, mas quando foi no dia pra você vim aqui na porta da minha casa, em pleno domingo, 5 horas da tarde, você soube vim pra eu soltar o meu filho , entendeu. E agora você fala pra eu ligar pra polícia que ele tem 14 anos? Ele já responde pelos atos dele? Que conselho é esse?  Ele é usuário, comete crime de roubo e furto”, finalizou.

Questionado sobre retomar sua vida longe da criminalidade, o menor alegou à nossa reportagem que não pode, porque tem uma dívida com o crime. “Não posso mudar porque eu tô devendo 3 mil ao tráfico”. O adolescente deve ser encaminhado e cumprir medida na unidade da Fundação de Atendimento Socioeducativo do Pará (Fasepa).

 

Fonte: O Impacto