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Oriximiná registra mais picadas de cobra que a média nacional, aponta estudo

Surucucu-pico-de-jaca é a maior cobra peçonhenta das Américas — Foto: Carlos Tuyama
Surucucu-pico-de-jaca é a maior cobra peçonhenta das Américas — Foto: Carlos Tuyama

Uma pesquisa realizada pelo acadêmico do curso de Ciências Biológicas Jorge Emanuel Cordeiro Rocha e os professores Rodrigo Fadini e Samuel Gomides apontou que Oriximiná, no oeste do Pará, registra mais picadas de cobra que a média nacional.

O Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) foi realizado no campus de Oriximiná da Universidade federal do oeste do Pará (Ufopa).

A pesquisa traçou o perfil epidemiológico desses casos no período de 2007 a 2021 e desenvolveu as estratégias para diminuir esses números. De acordo com os pesquisadores, os dados podem ser levados em consideração para a criação de políticas públicas de educação ambiental e prevenção.

O orientador do estudo, Prof. Rodrigo Fadini, destaca a importância da pesquisa.

“Esse trabalho se destaca pela importância de conhecer o perfil das vítimas e quais as situações em que os acidentes ocorrem. O estudo buscou entender a dinâmica desses acidentes para ajudar a traçar políticas de prevenção que sejam eficientes no combate dessa grave situação que afeta tantos cidadãos do Oeste do Pará”, contou.

Para o Prof. Samuel Gomides, coorientador da pesquisa, a região necessita de estudos dessa natureza.

“A Amazônia brasileira está inserida em um contexto de alta diversidade étnico-cultural e carece de informações epidemiológicas robustas que permitam traçar políticas de vigilância e prevenção, de forma a proteger de maneira eficaz a população da região”, disse Samuel.

Como o estudo foi realizado?

 

Os autores do trabalho analisaram os dados disponibilizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) através do Sistema Nacional de Agravos de Notificação (SINAN), sistema que registra dados desse tipo de acidente em um banco de dados integrado no Brasil e disponível através de plataforma on-line.

O estudo avaliou o número de acidentes por sexo, idade, região do município e se existe correlação entre acidentes ofídicos e a intensidade das chuvas e o índice das cheias dos rios. O número de acidentes com serpentes em Oriximiná é um dos mais altos do Brasil.

  • No período de janeiro de 2007 a dezembro de 2021 foram registrados 1.345 acidentes ofídicos em Oriximiná, com média de 89,67 acidentes por ano.
  • A incidência média foi de 133,47 acidentes ofídicos por 100 mil habitantes, e esse número de acidentes ofídicos é elevado: cinco vezes mais do que a média nacional e o dobro da média da Amazônia.

 

Perfil das vítimas e dos acidentes

 

De acordo com o estudo, homens de 19 a 59 anos são os mais afetados, sendo que 95% dos acidentes acontecem na zona rural no período chuvoso.

Espécies de serpentes que causam os acidentes

 

Ainda segundo a pesquisa, apesar de a região de Oriximiná ter cerca de 70 espécies de serpentes registradas dentro dos seus limites, apenas duas delas causam a maior parte dos acidentes, sendo: Bothrops atrox (conhecida como jararaca-do-norte ou malha-de-sapo), com 84% dos acidentes, e Lachesis muta (conhecida como pico-de-jaca ou surucucu), com cerca de 11%.

Os acidentes causados por serpentes peçonhentas constituem um grave problema de saúde pública no Brasil e no mundo. Só no Brasil, ocorrem cerca de 30 mil acidentes por ano, e a Amazônia concentra a maior incidência do país. Esse tipo de acidente acomete principalmente pessoas que vivem em zonas rurais e que dependem de atividades no campo para obter a subsistência. Em muitos casos, as pessoas vítimas desses acidentes não possuem acesso eficaz ao atendimento médico e ao soro antiofídico, o que pode gerar sequelas graves e até mesmo a morte.

Medidas preventivas

 

De acordo com a pesquisa, algumas medidas podem contribuir para diminuir esses números, por exemplo:

  • A importância das atividades de educação ambiental e orientação para os trabalhadores do campo;
  • fornecimento de perneiras e botas;
  • Atendimento médico eficaz.

 

“Nossos dados reforçam a necessidade de políticas públicas de educação ambiental e prevenção, como uso de botas e perneiras, principalmente nos meses chuvosos, que coincidem com a época em que as pessoas da região historicamente estão envolvidas em coletas de produtos florestais, como a castanha-do-pará, e quando a maior parte dos acidentes ocorre”, explicam os pesquisadores.

Fonte: G1 Santarém