Tá na Ita, tá legal!

MP aciona órgãos de segurança sobre sumiço de casal desaparecido há quase 4 meses em Aveiro

Foto: Reprodução

O casal Maria Rosinete Rodrigues Duarte e Wicivan Lima Santos( conhecido pelo apelido de ‘Gringo’ ), está desaparecido há quase quatro meses no município de Aveiro, no oeste do Pará. Eles foram vistos pela última vez, no dia 8 de abril deste ano, na comunidade de Piabanha. A suspeita é que eles tenham sido vítimas de algum tipo de emboscada, já que a região onde residem é alvo de um conflito agrário que inclusive com registros de ameaças, intimidação e atos de vandalismo contra moradores por grileiros de terra.

O Ministério Público do Estado do Pará (MPPA), por meio da Promotoria de Justiça de Aveiro, que tem à frente o promotor de Justiça, Ítalo Costa Dias, instaurou um procedimento administrativo para acompanhar as providências a serem adotadas pelos órgãos competentes quanto à investigação e buscas aos desaparecidos. A portaria foi publicada no Diário Oficial do Estado (DOE), desta sexta-feira (5).

Tão logo tomou conhecimento do sumiço do casal e da situação conflituosa na região, ainda no mês de abril, a Promotoria de Justiça acionou a Polícia Civil, Corpo de Bombeiros, Polícia Militar e o Exército para que ajudassem nas buscas dos desaparecidos. Porém, desde então, não houve avanço na localização do paradeiro de Maria Rosinete Rodrigues Duarte e Wicivan Lima Santos.

Segundo relato de testemunhas, Maria Rosinete e Wicivan Lima estariam desaparecidos desde o dia 8 de abril de 2022. Segundo esses relatos, ‘Gringo’ foi visto pela última vez por um sujeito conhecido como “Senhor José do 5”. Foi, segundo testemunhas, na casa deste tal ‘Senhor José do 5’, que ‘Gringo’ teria feito a última ligação telefônica.

Esses relatos informam ainda que no dia 8 de abril deste ano, ‘Gringo’ teria pegado uma motocicleta empresta do cidadão identificado por Ferreira, na comunidade Piabanha, para ir até a casa do “Senhor José do 5”, localizada na comunidade Rio Nambu. Na volta, ‘Gringo’ teria deixado a motocicleta no local combinado com o proprietário, dentro da área da comunidade Piabanha, e deste então nunca mais foi visto.

Consta nos autos que na noite do dia 09 de abril, os cidadãos Nelson e Adalberto informaram que foram até a casa do casal e observaram que havia comida nas panelas. ‘O que sugere que o casal não pretendia sair do local’.

Conforme conta nos autos, há um grande conflito agrário na região onde o casal desapareceu. Inclusive, um boletim de ocorrência relatando a ação de grupos armados, que tentam expulsar os moradores de áreas de assentamento.

A Polícia Civil instaurou um inquérito policial para investigar as denúncias de ameaças aos colonos e também para tentar localizar o casal desaparecido. O Ministério Público Federal (MPF) acompanha o caso.

O desaparecimento do casal foi relatado durante uma reunião dos moradores com as promotoras de Justiça Ana Maria Carvalho e Ione Missae da Silva Nakamura. A reunião foi realizada no último dia 19 de julho. Equipes do Gaeco e NAF, do MPPA, além de policiais militares, participaram do encontro com os comunitários, que relataram uma série de irregularidades e abusos que vêm sendo praticados há alguns anos por pessoas ligadas a grupos madeireiros da região.

Eles lembraram às promotoras sobre a prisão de vários comunitários pela Polícia Civil durante a Operação Amazônia Viva. A ação policial é delatada como abusiva, já que prenderam pessoas inocentes, inclusive um adolescente. Segundo eles, os conflitos se afloraram desde que o fazendeiro identificado por ‘Pedro’, passou a intimidar, com homens armados, os moradores, alegando ser dono de áreas naquela região. Há muitos moradores ameaçados de morte.

No ano passado, ‘Pedro’ e seus campanhas estiveram na comunidade de Piabanha e tocaram fogo nas casas de comunitários e motos, além de terem roubados vários pertences das vítimas.

Os moradores apontam um grupo conhecido como ‘G12’, que se auto intitula donos de terras em áreas de preservação nos arredores de Aveiro. Eles voltaram a cobrar do MP investigação para apurar a condutas dos delegados que estavam à frente da operação Amazônia Viva, que mirou apenas os comunitários, em vez de investigar os verdadeiros criminosos, que destroem a floresta.

Fonte: Portal OESTADONET