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Imagens de satélites indicam que lama dos garimpos de afluentes do Tapajós está visível em Alter do Chão

Imagens de satélite de alta resolução analisadas pelo consórcio MapBiomas indicam que a lama dos garimpos de afluentes do Tapajós — como o Jamanxim, o Crepori e o Cabitutu — está por trás da pluma de sedimentos que tomou o rio neste ano e é visível em todo seu baixo curso até a foz, inclusive em Alter do Chão, balneário distante 37km da zona urbana de Santarém, no oeste do Pará.

(Foto: Reprodução)

Nos últimos meses, a coloração da água do Tapajós passou de azul-esverdeada para barrenta, piorando a partir de meados de dezembro de 2021, quando uma grande faixa junto à Ilha do Amor, principal praia de Alter do Chão, passou a apresentar coloração turva.

(Foto: Reprodução)

“Mudanças na coloração das águas do Tapajós e de sua foz estão se tornando cada vez mais frequentes e mais intensas, e coincidem com expressivo avanço da atividade garimpeira na região”, afirmou o MapBiomas, em nota técnica publicada nesta segunda-feira (24).

Mas, o consórcio ressalta que a cheia anual do rio Amazonas também contribui para a mudança de cor do Tapajós na altura de Alter do Chão. Os dois rios se comunicam na foz do Tapajós, e os sedimentos do Amazonas, um rio naturalmente barrento, também invadem a foz do Tapajós que sempre foi conhecido por suas águas cristalinas.

Mesmo considerando o fenômeno das cheias dos rios, o Mapbiomas diz que só que a opacidade cíclica e natural nessa época de início da rápida subida do nível da água não basta para explicar as alterações vistas em Alter do Chão e em outros pontos do rio neste ano.

(Foto: Reprodução)

Conforme relatório do consórcio, nas imagens de satélite de 3 metros de resolução, da constelação americana Planet, é possível ver a pluma de lama tomando o Tapajós mesmo em julho, mês de seca, quando não há influência do Amazonas. A comparação entre rios com garimpo (como o Cabitutu) e rios sem garimpo (como o Cadarini) não deixa dúvida.

 

Fonte: G1 Santarém