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Dia Mundial Sem Tabaco: cerca de 90% dos cânceres de pulmão estão relacionados ao hábito de fumar

Cristino Martins/O Liberal

O Dia Mundial Sem Tabaco, celebrado neste 31 de maio, foi criado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para alertar sobre as doenças e mortes evitáveis relacionadas ao tabagismo. Segundo a entidade, cerca de 80% dos mais de um bilhão de fumantes do mundo vivem em países de baixa e média renda, onde o peso das enfermidades e óbitos relacionados ao tabaco é maior. Buscar ajuda médica e psicológica são fundamentais para quem deseja engajar a redução do vício, dizem especialistas.

Paula Sampaio, médica oncologista do Centro de Tratamento Oncológico, em Belém, afirma que a data é importante porque põe holofotes no tema e faz com que a população repense sobre o hábito de fumar. “É um dia importante para lembrarmos dos malefícios provocados pelo tabagismo. É a causa principal de diversas doenças, não apenas doenças oncológicas, como pulmonares, entre elas, responsáveis por enfisema, bronquite, doenças cardiovasculares”, disse a especialista.

A médica oncologista afirma que cerca de 90% de todos os cânceres de pulmão estão relacionados ao hábito de fumar. “O câncer de pulmão possui incidências altíssimas no Brasil. Mais de 30 mil mortes ocorrem todos os anos por causa da doença. Mas não é só ela, mais de 16 outros tipos de cânceres estão intimamente relacionados ao hábito de fumar. O destaque principal fica para os cânceres de esôfago, bexiga, estômago e os cânceres de cabeça e pescoço”, exemplificou.

Para de fumar não é uma decisão fácil, diz Paula Sampaio. Nove em cada 10 fumantes gostariam de abandonar o vício e cerca de 65% dos fumantes afirmam que já tentaram e não conseguiram parar, afirma a médica.

“O tabaco é uma droga que contém dependência. A nicotina é uma substância presente no cigarro que causa dependência química e psíquica. Talvez seja a droga mais difícil de parar.  O tabaco é considerado lícito e totalmente aceito, então é necessário estar muito bem informado para conseguir fazer com que os indivíduos se conscientizem sobre os riscos”, afirmou a médica.

“É sempre necessário buscar ajuda médica e psicológica, que são fundamentais para que realmente o paciente consiga se engajar em um programa de redução do vício. O paciente tem que estar muito consciente e orientado. Para você ter uma ideia do quanto é difícil, cerca de 50% dos pacientes, mesmo com diagnóstico de câncer, não conseguem parar de fumar durante o tratamento da quimioterapia”, completou.

 

Os mitos do cigarro eletrônico

O uso dos cigarros eletrônicos está crescendo, sobretudo, entre os jovens, diz a especialista. Ela conta que há incoerência na argumentação do tabagismo eletrônico proporcionar menos malefícios à saúde e ajudar pessoas a interromperem ou pararem de fumar. “Isso não é correto, não existe de fato nenhum dado na literatura científica de que isso de fato aconteça. A gente percebe que hoje tem 650 mil brasileiros jovens usando esses dispositivos porque é algo atraente pelos sabores variados, odor agradável, mas infelizmente podemos afirmar que isso é muito perigoso”, comentou.

Recentemente, 46 entidades médicas assinaram um documento repudiando tanto a liberação quanto a importação e divulgação em forma de propaganda do cigarro eletrônico, baseado em mais de 20 estudos e pesquisas na literatura, mostrando que a prática causa mal à saúde, afirma a oncologista. “Muitos desses jovens nunca fumaram antes e se expõem desse jeito. Existem diversas substâncias químicas que não apenas possuem sabor aromatizante e um vapor de água, também têm nicotina e mais cerca de dezenas de substâncias nocivas à saúde”, garante a médica.

 

Tabagismo passivo

Pessoas que nunca fumaram mas que convivem de forma repetida e prolongada com quem fuma estão entre as pessoas que podem ter problemas de saúde. “A inalação da nicotina, do alcatrão, das substâncias químicas de ingestão do tabaco são prejudiciais não só para quem está fumando, como para quem convive com fumantes. Quanto maior a exposição, maior o risco”, alerta a especialista.

A oncologista Paula Sampaio destaca que o Dia Mundial sem Tabaco tem outras missões, como alertar sobre o fumo passivo e o uso de cigarros eletrônicosA oncologista Paula Sampaio destaca que o Dia Mundial sem Tabaco tem outras missões, como alertar sobre o fumo passivo e o uso de cigarros eletrônicos (Cristino Martins / O Liberal)

Sespa promove programação alusiva ao Dia Mundial sem Tabaco

Secretaria de Estado de Saúde Pública do Pará (Sespa) realiza nesta terça-feira (31), a partir das 8h, um programação alusiva ao Dia Mundial sem Tabaco, organizado pelo Centro de Referência em Abordagem e Tratamento do Fumante (Cratf) e outros órgãos públicos na praça Dom Pedro II, em Belém, Segundo a pasta, a mobilização servirá para destacar os riscos à saúde associados ao tabagismo e vai ofertar serviços, como aferição de pressão arterial, glicemia, teor de intoxicação pelo monóxido de carbono, dependência da nicotina, consultas médicas e odontológicas.

Por meio de nota, a Sespa informou que “há 19 anos é oferecido tratamento gratuito às pessoas que querem parar de fumar no Cratf, em Belém. Durante esse tempo, já foram atendidas mais de 5 mil pessoas, das quais 97 começaram tratamento este ano, perfazendo uma média de 30 pacientes novos que procuram atendimento a cada mês.  Na capital e no interior do Estado, há serviços oferecidos pelas Secretarias Municipais de Saúde para a população deixar de fumar”.

Onde encontrar ajuda gratuita?

O atendimento aos pacientes ocorre no Centro de Referência em Abordagem e Tratamento do Fumante (Cratf), que funciona de segunda a sexta-feira, das 7h às 17h, na URE Presidente Vargas (Avenida Presidente Vargas, 513), térreo.

 

Potenciais riscos à saúde

Além de estar associado às doenças crônicas não transmissíveis, o tabagismo também contribui para o desenvolvimento de outras enfermidades, tais como:

  • Tuberculose,
  • Infecções respiratórias,
  • Úlcera gastrintestinal,
  • Impotência sexual,
  • Infertilidade em mulheres e homens,
  • Osteoporose,
  • Catarata, entre outras.

 

Fonte: Instituto Nacional do Câncer (Inca)