As aparelhagens de som foram declaradas como patrimônio cultural imaterial do Estado do Pará na Sessão Ordinária desta terça (06), depois de aprovação do Projeto de Lei de autoria do deputado Wanderlan Quaresma (MDB).

O projeto será remetido agora ao governo do Estado para receber sanção governamental, e em seguida ser pulicada no Diário Oficial do Estado.

Segundo o professor da UFPA Antonio Maurício da Costa, as aparelhagens de som, ou simplesmente, aparelhagens, como são popularmente conhecidas por todo o Estado, são empreendimentos de sonorização festiva que surgiram nos anos 40, em Belém do Pará. Sempre associadas a eventos dançantes, as aparelhagens evoluíram ao longo do século XX, passando por inúmeras inovações tecnológicas de sistemas sonoros, transformações que revolucionaram a forma de ouvir e vivenciar a música.

Hoje, as aparelhagens representam um apanhado de equipamentos de luz, som e efeitos pirotécnicos que fazem parte da experiência dançante das tradicionais festas de aparelhagem que já podem ser encontradas em todo o território paraense.

Através das aparelhagens, os sons marcantes, típicos do Estado, como Brega e sua versão mais contemporânea, o Tecno brega, ganham vida e embalam multidões numa experiência que envolve não só o som, como também é marcada pelo impacto visual das apresentações, já que cada aparelhagem compõe um complexo de entretenimento completo com aparência, apetrechos, pirotecnias e identidade próprios.

Essa diversidade pode ser facilmente notada nas apresentações de Superpop, Rubi, Crocodilo, Ouro Negro, Tremendão; Treme Terra Tupinambá, Búfalo do Marajó, Mega Príncipe Negro, Brasilândia – O Calhambeque da Saudade, algumas das aparelhagens que mais se destacam no cenário musical do Estado.

Para Andrey Lima, em dissertação de mestrado para a UFPA, “a manutenção da relação público/aparelhagens, segundo seus protagonistas, baseia-se na “originalidade” e eficácia do modo como as aparelhagens realizam constantes “inovações” e “evoluções” que envolvem desde o aparato tecnológico utilizado – sonoro, eletrônico, luminoso, etc. – e a “criatividade” empregada, até a destreza (e o “carisma”) dos DJ’s na manipulação dos equipamentos e interações com o público através de performances que incluem chamadas ao microfone e intervenções sono técnicas durante a reprodução de canções.”